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tik tok se transforma no canhão da música

TikTok se transforma no canhão da música

Como o TikTok tornou-se uma grande plataforma de divulgação e influência na indústria musical

Por: Júlia Castello
Da redação | 16 de agosto de 2022 - 21:58
tik tok se transforma no canhão da música

Famoso por viralizar personalidades, sejam elas famosos ou desconhecidos que se tornam influentes, o TikTok está presente na indústria da música. Não apenas divulgando conteúdo dos artistas, como influenciando diretamente nesta área de entretenimento e cultura. Segundo a agência brasileira de tecnologia, Winnin, das 10 músicas mais ouvidas em 2020 no Spotify, sete delas viralizaram primeiro no TikTok.

Um exemplo de sucesso no Brasil foi a última música lançada pelo cantor Zé Felipe, “Bandido” com a participação de Mc Mari. No primeiro dia de lançamento da música, o videoclipe se tornou o “videoclique trend” mais em alta no Youtube e rapidamente a música ocupou o primeiro lugar do ranking do Spotify.

O poder de antecipar hits

A gerente de marketing e comunicação da Som Livre, Pollyana de Moraes, gravadora do cantor explica que antes mesmo da música ser lançada, Zé Felipe e sua esposa e influencer Virginia Fonseca estavam divulgando a coreografia da música no TikTok: “Quando a música saiu eu tive a impressão, e a mesma impressão da audiência, que a gente já conhecia a música. A música saiu com ar de como fosse um clássico viral do TikTok”.

Zé Felipe, MC Mari e Virginia Fonseca fazendo a coreografia da música Bandido (Vídeo: TikTok)
Reações

A atual tendência da relação de sucesso da música com a rede tem gerado polêmica, sobretudo, por cantores e compositores.  Logo após lançar seu novo álbum no fim de 2021, Adele afirmou em uma entrevista para Zayn Lowe, da Apple Music, que não fazia música para o TikTok. Ela criticou a atual preocupação da indústria com a criação de músicas feitas para o público-alvo da rede, os adolescentes, e defendeu que suas músicas eram feitas para pessoas da sua idade.

Já o cantor Ne-yo que teve grande sucesso no início dos anos 2000 também criticou a influência do TikTok na composição das músicas afirmando que todas possuem “qualidade menor”. “Eu acho que a razão que faz com que as pessoas sempre voltem aos anos 1990 é porque o R&B tinha sua própria identidade. A música de hoje soa assim porque o hip hop dominou tudo e aí todos os gêneros receberam influência. As novas gerações cresceram ouvindo hip hop e não R&B, eles praticamente fazem rap e não cantam”, afirmou o artista para a Revista Quem.

Novo momento
A razão do poder do TikTok na indústria musical tem a ver com o alcance que a plataforma concede, seja para os próprios fãs como novos públicos. Uma pesquisa da musicFirst Coalition mostrou que apenas 1 a cada 5 cidadãos dos Estados Unidos, cerca de 21% da população, ainda usam a rádio AM/FM para descobrir novas músicas. O número é ainda menor entre pessoas mais jovens: 7% das pessoas entre 18 e 29 anos utilizam a rádio para a tarefa. Já em relação ao TikTok, como outros serviços de streaming, 2 a cada 3 cidadãos utilizam as plataformas para encontrar novas músicas.

TikTok a rede mais popular entre os jovens. (Foto: FreePik)

A gerente de marketing e comunicação da Som Livre, Pollyana de Moraes explica que as redes sociais, como o TikTok cresceram ainda mais durante o isolamento provocado pela pandemia. Os artistas, que foram diretamente afetados pelos cancelamentos de shows, eventos, presença em programas de televisão, começaram a utilizar as redes como sua própria plataforma pessoal de marketing.

“A criação de conteúdo na internet para promover um produto como música, não pode ser um simples anúncio. Esta publicidade precisa estar carregada de entretenimento. Ao invés de eu simplesmente postar uma foto com uma capa do meu álbum, eu vou e crio uma narrativa usando a minha música. A coreografia, a dança coreografada, se tornou popularizado, porque é facilmente aplicado”.

Os fãs deixaram de ser apenas ouvintes e passaram a participar diretamente da divulgação da música. Um single hoje se torna viral não apenas pelo número de visualizações, likes e compartilhamentos, mas principalmente pelo nível de interação que as pessoas criam com a música. “Hoje a pessoa deixou de ser usuário da rede social e passou a ser criador de conteúdo. TikTok está neste momento que representa esta fase cultural e social”, explica.

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