INTERNACIONAL
Associated Press

Todo o horror da guerra! Mercenários confessam que mataram até crianças na Ucrânia

Ex-combatentes revelam ter lançado granadas contra soldados presos e feridos e que a ordem era: “Matem todos”

Por: Carlos Taquari
Da redação | 19 de abril de 2023 - 12:27
Associated Press

Dois ex-integrantes do grupo Wagner, mercenários a serviço de Moscou, admitiram ter cometido crimes bárbaros na guerra contra a Ucrânia. Azamat Uldarov e Alexey Savichev deram entrevista ao site Gulagu.net, especializado em denúncias sobre violência e corrupção na Rússia.

Na conversa de mais de uma hora, eles contaram que a ordem do comando do grupo Wagner era simples e direta: “Matem todos”, referindo-se a prisioneiros e moradores das cidades invadidas pelas tropas russas que não colaborassem com os invasores. Um deles, Uldarov, confessou ter matado uma criança, durante a invasão de um prédio de apartamentos em Bakhmut: “Ela estava gritando, era bem pequena, devia ter 5 ou 6 anos e eu atirei nela. Não tínhamos permissão para deixar qualquer um sair”.

Savichev disse ter participado da execução de 20 prisioneiros ucranianos que estavam cercados. “Disparamos nossas armas contra eles”. Em outro episódio, eles lançaram granadas contra prisioneiros desarmados e feridos, matando “dezenas deles”, incluindo soldados russos que haviam se recusado a continuar lutando.

De acordo com o depoimento, eles participaram de combates e execuções na região de Soledar e Bakhmut, no leste da Ucrânia. Essa última está cercada pelas tropas russas e pode ser tomada a qualquer momento.

Ladrões e assassinos 

Uldarov e Savichev também revelaram como foram parar na frente de combate na Ucrânia. Eles estavam presos na Rússia e cumpriam pena por assaltos e homicídios. Mas foram libertados e anistiados a pedido do comando do grupo Wagner, sob o compromisso de se alistarem para lutar na Ucrânia.

Segundo eles, mais de 100 presos foram libertados, no mesmo dia. Desse total, sobreviveram cerca de 20. De acordo com o relato, eles eram atirados nas frentes de combate para servir de escudo para os soldados do Exército russo, que vinham na retaguarda.

Uldarov e Savichev conseguiram escapar e, por enquanto, continuam escondidos em algum ponto do território russo. “Mas eu sei que estou marcado para morrer”, disse Savichev.

O nome site Gulagu.net é uma referência aos gulags, os campos de concentração e trabalho forçado da antiga União Soviética, nos tempos de Josef Stalin. O escritor Alexander Soljenitsin, que foi prisioneiro num desses campos, escreveu o livro “Arquipélago Gulag”, onde descreve com detalhes o que se passava nesses locais, onde dezenas de milhares de prisioneiros morreram de fome, torturas ou maus tratos.

O grupo de mercenários Wagner é comandado por Eugeny Prigozhin, homem de confiança do presidente Vladimir Putin, que o ajudou a construir um império bilionário, que atua em vários setores da economia da Rússia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ao tomar conhecimento da entrevista, declarou: “O mundo não pode ignorar essa maldade. A facilidade com que essas bestas podem matar. Não vamos esquecer isso. Não vamos perdoar esses assassinos”.

Leia também:

+ DESTAQUES