GUERRA

Rússia é acusada de torturar civis em acampamentos

Relatos indicam que tropas russas podem ter cometido crimes de guerra

Por: Mario Augusto
Da redação | 14 de setembro de 2022 - 11:43

Com o avanço da contraofensiva ucraniana e a expulsão de tropas russas na região nordeste do país nas últimas semanas, a população das áreas recém-libertadas experimentam a sensação alívio. Mas ao mesmo tempo, muitos demonstram traumas e tristeza pelo período em que se mantiveram sob o controle russo. Surgem muitas denúncias de tortura e assassinatos de civis durante seis meses de ocupação.

Um trabalhador civil, morador de Balakliya, na região de Kharkiv, relatou ter sido preso por soldados russos e mantido em uma cela da delegacia de polícia da cidade por mais de 40 dias. Nesse tempo, o homem disse que foi torturado com eletrochoques. Tão ruim quanto a tortura em seu corpo era ouvir gritos de dor vindos de outras celas, conta o sobrevivente.

“Eles faziam isso dia sim, dia não… Eles até faziam isso com as mulheres”, afirma.
Leia também:
Inteligência artificial pode levar à extinção da humanidade, alertam especialistas
Baleia Beluga suspeita de espionar para a Rússia

O britânico Paul Urey morreu na prisão depois de ser capturado por separatistas pró-Rússia (Foto: Reprodução/Internet)

O homem contou detalhes de como os soldados russos torturavam as suas vítimas. Com requinte de crueldade, as vítimas eram obrigadas a segurar dois fios ligados a um gerador elétrico. Quanto mais rápido o gerador funcionava, maior a voltagem elétrica desprendida contra os presos. De acordo com os relatos, os soldados gritavam: ‘Se você soltar, você acabou’.

A diretora de uma escola também ficou detida na mesma delegacia que foi usada pelas tropas russas como quartel-general. Ela confirmou as cenas de tortura com eletrochoques.

 Britânico torturado

Um britânico que prestava serviços humanitários na Ucrânia é uma das possíveis vítimas de tortura. Paul Urey, de 45 anos, teria morrido na prisão em julho depois de ser capturado por separatistas pró-Rússia. O corpo dele foi devolvido pela Rússia com sinais de “possível tortura indescritível”, diz a Ucrânia.

Paul foi mantido em cativeiro na autoproclamada região separatista da República Popular de Donetsk (DPR), na Ucrânia, que tem o apoio do governo russo. O ativista de direitos humanos foi detido em um posto de controle perto da cidade de Zaporizhzhia, no sudeste do país, em abril deste ano, sob a acusação de ser mercenário. Paul Urey era portador de diabetes tipo 1 e dependia de insulina para sobreviver.

Reino Unido responsabilidade Rússia

Quando a notícia da prisão veio à tona, a primeira ministra do Reino Unido, Liz Truss, que na época era secretária de Relações Exteriores, disse que o ativista britânico foi capturado enquanto realizava trabalho humanitário.

“Ele estava na Ucrânia para tentar ajudar o povo ucraniano diante da invasão russa”, declarou na época.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido afirmou que a Rússia deve assumir a responsabilidade pela morte de Paul Urey.

Os relatos de tortura contra o britânico contradizem as alegações feitas por autoridades apoiadas pela Rússia de que Urey teria morrido em cativeiro por causa de complicações de saúde e estresse.

“Ele morreu de insuficiência coronária aguda agravada por edema pulmonar e cerebral”, disse a agência de notícias estatal russa Tass, citando uma autoridade, Natalya Nikonorova, na época.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, condenou a detenção e tortura de civis como um crime de guerra e, no caso do britânico Paul Urey, prometeu identificar os autores do crime e responsabilizá-los.

+ DESTAQUES