POLÍTICA
Ativista russo contrário a Putin é condenado a 25 anos de prisão
Foto: The Moscow City Court via AP

Rússia condena jornalista crítico de Putin a 25 anos de prisão

Vladimir Kara-Murza foi um dos defensores das sanções impostas pelo Ocidente à Rússia após a invasão na Ucrânia

Por: Mario Augusto
Da redação | 17 de abril de 2023 - 14:46
Ativista russo contrário a Putin é condenado a 25 anos de prisão
Foto: The Moscow City Court via AP

Um Tribunal de Moscou condenou o ativista russo Vladimir Kara-Murza a 25 anos de prisão. Ele foi acusado de traição por conta de críticas feitas à guerra na Ucrânia e ao governo Putin. Kara-Murza foi considerado culpado por ter espalhado, segundo os promotores, informações falsas sobre o exército russo.

O jornalista e político russo-britânico sempre negou as acusações. Na semana passada, antes do julgamento, ele divulgou um comunicado em que reafirmou a sua postura crítica ao governo. “Subscrevo cada palavra que disse… Não apenas não me arrependo de nada disso, como tenho orgulho disso”, reiterou o ativista. “Eu sei que chegará o dia em que a escuridão que envolve nosso país se dissipará. Nossa sociedade abrirá os olhos e estremecerá quando perceber que crimes foram cometidos em seu nome”, informa o comunicado.

Kara-Murza foi condenado à pena máxima para crimes de traição. É a sentença mais severa aplicada contra um político de oposição desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022. Analistas internacionais de direitos humanos destacaram que o juiz que presidiu o processo levou apenas alguns minutos para julgar o caso que, em condições normais, poderia demorar muito tempo nos tribunais russos.

Ativista russo contrário a Putin é condenado a 25 anos de prisão

Kara-Murza tem cidadania britânica, estudou jornalismo na Universidade de Cambridge e escapou duas vezes de ser morto por envenenamento na Rússia. (Foto: Wikimedia Commons)

O ativista russo cumprirá a pena em uma colônia correcional em regime fechado e ainda foi condenado a pagar uma multa de 400 mil rublos, o equivalente a US$ 4.900.

A sentença contra Vladimir Kara-Murza é um sinal claro de que o governo da Rússia controla o sistema judicial do país a serviço da política de Putin, que deseja silenciar todas as vozes críticas e neutralizar os opositores do sistema político.

A defesa de Kara-Murza

Kara-Murza foi um dos defensores de sanções de países ocidentais contra a Rússia por abusos de direitos humanos e corrupção. Ele foi preso em 2022 por desobediência a um policial. Porém, as acusações mais graves foram formuladas quando ele já estava sob custódia do Estado russo.

Em discurso dirigido a políticos nos EUA, o ativista afirmou que “a Rússia estava cometendo crimes de guerra na Ucrânia com bombas lançadas em áreas residenciais”, além de bombardeios de maternidades e escolas.

Em suas últimas manifestações dirigidas ao tribunal, Vladimir Kara-Murza disse que o seu julgamento lembra aqueles ocorridos na era Stalin, na década de 1930. “Só me culpo por uma coisa”, acrescentou. “Não consegui convencer o suficiente meus compatriotas e políticos em países democráticos do perigo que o atual regime do Kremlin representa para a Rússia e para o mundo”, argumentou.

O governo britânico e a embaixada dos EUA em Moscou criticaram a decisão judicial, afirmando que “a sentença é uma afronta aos direitos humanos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão”. O grupo Human Rights Watch e a Anistia Internacional também condenaram o veredicto e pediram à Rússia que anule a sentença e liberte Vladimir Kara-Murza.

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