COMPORTAMENTO

O “ódio conjugal” existe. E é mais comum do que se imagina

Quem nunca sentiu uma ponta de raiva contra o parceiro ou parceira que atire a primeira pedra!

Por: Júlia Castello
Da redação | 24 de setembro de 2022 - 16:43

Amor e ódio são duas emoções completamente opostas, principalmente se sentidas por uma mesma pessoa. Entretanto, não só é possível, como é mais comum do que se possa imaginar. O “ódio conjugal”, como é chamado, é quando se fica com raiva do parceiro ou parceira, mesmo amando e querendo ficar junto com a pessoa. Normalmente está relacionado a divergências de pensamentos, opiniões, ações, que geram problemas.

Casais, mesmo que de longa data, têm problemas no relacionamento. (Foto: FreePik)

Existem diversas pesquisas na área da psicologia que tentam entender como os casais aprendem a resolver conflitos para continuarem juntos. O pesquisador da Universidade de Washington, John Gottman, foi pioneiro no estudo de relacionamentos ao entrevistar casais que viviam fases de  conflitos. Suas pesquisas monitoraram palavras positivas e negativas, expressões faciais e linguagem corporal dos casais. Ele calculou que relacionamentos fortes têm uma proporção de 5 para 1 de interações positivas para negativas.

A terapeuta familiar e autora de best-sellers, Terrence Real, reconhece em seu livro “Us: Getting Past You & Me to Build a More Loving Relationship” que o “ódio conjugal” é um ponto fraco dos relacionamentos. Entretanto, existem ações simples que podem evitar ou pelo menos melhorar a situação.

Aceitar e não idealizar

A primeira dica, segundo a autora, é entender que é normal sentir ódio do parceiro durante e após momentos tensos. Em vez de se desesperar ou tentar evitar o sentimento, é preciso buscar formas de como lidar com o problema que o casal está enfrentando. A segunda dica é parar com as idealizações. Desde jovens, as pessoas, sejam homens ou mulheres, crescem com um ideal perfeito de relacionamento. Terrence explica como aquele estereótipo do “casal fofo” que, em geral, não passa de idealização. Todos os relacionamentos têm problemas e os casais não estão sempre felizes, ela assegura.

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Cuidado a dois

A autora deixa claro, entretanto, que aceitar e não idealizar não é menosprezar os problemas. Ao contrário. De acordo com Terrence o relacionamento deve ser visto como um ecossistema “onde qualquer ruptura o machuca tanto ou pior do que afeta seu parceiro”. Ou seja, estar em um relacionamento é difícil porque não envolve separadamente o “eu” e o “outro”. Apesar de serem realmente duas pessoas separadas, o relacionamento deve ser tratado como algo único a ser cuidado por ambos. Ela explica que no momento em que a pessoa percebe que é do próprio interesse dela ajudar o parceiro a se sentir melhor, é mais fácil diminuir o conflito.

Entender as diferenças é fundamental.  (Foto: Pexels)

A verdadeira intimidade

Contudo, isto não quer dizer que a pessoa deva não ter conversas difíceis para evitar ou diminuir a briga. Terrence explica que é essencial em um momento posterior, de calma que o casal aprenda a conversar após o conflito.

Por fim, a sexta e última dica é a intimidade. Pode parecer óbvio que casais, principalmente os que estão juntos há muito tempo, criem intimidade. Mas a autora explica que é necessário buscar a verdadeira intimidade, que é quando a pessoa aprende a aceitar as imperfeições do parceiro ou parceira.

Muito diferente de não enxergar os defeitos, a questão é ter claro as imperfeições do outro, sentir a dor e a frustração que resultam disso e mesmo assim se escolhe no final amar o outro. Esta para ela é a definição de “amor maduro”.

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