ECONOMIA

Alemanha lança pacote de 54 bilhões de euros para conter preço da energia

País pretende subsidiar contas da população a partir de Janeiro. Dinheiro vai sair de imposto sobre usinas elétricas

Da redação | 22 de novembro de 2022 - 21:55

Bloomberg 

A Alemanha vai criar um teto para os preços do gás e da eletricidade pagos por empresas e residências no próximo ano, para conter as consequências dos cortes nas remessas de gás da Rússia para os países da Europa.

O pacote, que custará ao governo cerca de € 54 bilhões (US$ 55,5 bilhões), entrará em vigor em 1º de março, segundo autoridades país. Os subsídios serão pagos retroativamente a partir de janeiro, e os consumidores de gás também receberão um subsídio estatal único para dezembro, informou a agência Bloomberg, citando fontes do governo alemão que pediram para não serem identificadas.

O subsídio para as contas de energia será parcialmente financiado por um novo imposto sobre os lucros das empresas de eletricidade. Quase todas as formas de geração de energia, incluindo as renováveis, passarão a ser taxadas, com exceção do gás e do carvão. Muitas empresas alertaram que o imposto, que será cobrado retroativamente a setembro, pode impactar os investimentos no setor.

Alemanha

Alemanha é uma das maiores produtoras de energia eólica: taxação para subsídio às contas pode limitar investimentos (Foto: divulgação)

A Alemanha, maior economia da Europa, é o epicentro da crise energética do continente. Décadas de construção de relação de confiança com a Rússia saíram pela culatra depois que o Kremlin cortou as entregas em retaliação às sanções sofridas pela guerra na Ucrânia.

Para residências particulares, os preços do gás serão limitados a 12 centavos de dólar por quilowatt-hora para 80% do consumo, com base nos níveis de uso do ano passado. Para consumidores industriais, 70% do consumo de gás será subsidiado. Os preços da energia serão limitados a 40 centavos de dólar por kwh.

Imposto sobre lucros

Retroativamente, a partir de 1º de setembro o governo tributará as usinas elétricas sobre os lucros gerados “exclusivamente pela crise energética”, de acordo com um projeto de lei.

Retirar os lucros retroativamente “sufocará” as empresas de energia renovável, disse o legislador do CDU, o partido democrata-cristão, de oposição, Andreas Jung, que também criticou a isenção do carvão, um dos mais poluentes, do regulamento.

Ter uma cobrança retroativa pode enfraquecer a visibilidade regulatória, disse Patricio Alvarez, analista da Bloomberg Intelligence. “Isso pode prejudicar novos investimentos, pelo menos temporariamente, ao obscurecer o cenário regulatório, diminuindo o perfil de retorno e aumentando o custo de capital para financiar novos projetos”, disse ele.

Leia também:
França vira o jogo em cinco minutos e vence a Austrália por 4X1
Painéis flutuantes, que imitam o girassol, solução para energia limpa

+ DESTAQUES