Publicações destacam que estas foram as eleições mais disputadas desde o fim do regime militar
A imprensa mundial acompanhou com atenção as eleições presidenciais brasileiras, as mais acirradas desde o retorno da democracia no país, em 1985. Vários jornais importantes destacaram o assunto em seus sites e em suas edições desta segunda-feira, mostrando os desafios a serem enfrentados por Lula nos próximos quatro anos.
O La Nación da Argentina avaliou que o resultado deste domingo, com diferença abaixo de 2 pontos percentuais entre Lula e Bolsonaro, refletiu com precisão “a extrema polarização e divisão que envolveu” o país nos últimos anos. De acordo com o jornal, Lula conseguiu obter nas urnas o favoritismo apontado nas pesquisas, mesmo com uma distância mínima de pouco mais de dois milhões de votos.
Primeira página do jornal “El Mercurio” do Chile mostrando resultado das eleições brasileiras. (Foto: Captura de tela)
No Chile, um dos jornais com maior circulação de Santiago, El Mercurio, mostrou a vitória de Lula como um dos principais destaques da primeira página. O destaque foi frase do ex-presidente após ser eleito, de que vai governar “para todo o país”, demonstrando, segundo o jornal, “um esforço de unir o Brasil, após a polarização política e ideológica que domina o país.
O principal jornal norte-americano, o New York Times, destacou nesta segunda-feira a volta de Lula ao poder, 12 anos após terminar seu segundo mandato, mas chamou a atenção para o silêncio do presidente Jair Bolsonaro, que se prolongou por toda a segunda-feira. “Até agora, Bolsonaro não se manifestou sobre a derrota e gera temor sobre se vai contestar o resultado”, destacou o jornal em sua edição matinal e no conteúdo digital.
Também nos Estados Unidos, a CNN fez a cobertura durante todo o domingo e informou com destaque a vitória de Lula, exibindo o discurso do eleito, na Avenida Paulista, em São Paulo. Na reportagem, feita para o site da emissora, é possível assistir um trecho do discurso para centenas de apoiadores em que diz que o resultado destas eleições, os brasileiros deixaram claro que querem mais, não menos democracia.
O El País, de Madrid, destacou em letras garrafais “Vuelve Lula”, dizendo em artigo que a vitória faz renascer “o único operário que chegou à presidência do país e que em seu governo tirou milhões de pessoas da pobreza”.
O Le Figaro, de Paris, destacou com foto em sua primeira página a vitória de Lula, “numa disputa acirrada, voto a voto”, mas abaixo de notícias locais e de outros países, como de colônias francesas, como Gana, que ganharam mais espaço. O jornal conservador francês também destacou o silêncio “preocupante” de Bolsonaro.
No The Guardian, um dos principais veículos de comunicação do Reino Unido, estampou com destaque o resultado do 2º turno das eleições brasileiras. Com um carrossel de fotos de Bolsonaro, Lula e emoção de vitória ou derrota de apoiadores, a manchete destaca: “Bolsonaro permanece em silêncio após derrota eleitoral para Lula enquanto principais aliados aceitam resultado”. O veículo ainda fez um perfil de Lula relembrando as primeiras vitórias do ex-presidente nas urnas.
Na Alemanha, o jornal Handelsblatt destacou a vitória de Lula, como ganhador das eleições brasileiras pela terceira vez. Segundo o veículo, “o candidato de esquerda Lula da Silva derrotou por diferença mínima o titular de extrema-direita Jair Bolsonaro”.