INTERNACIONAL

Um símbolo de estabilidade para os britânicos

A perda provoca comoção entre milhões de súditos que sempre a admiraram

Por: Carlos Taquari
Da redação | 8 de setembro de 2022 - 16:03

Para dezenas de milhões de britânicos, Elizabeth II, em seus quase 70 anos de reinado, sempre simbolizou a união e a estabilidade do Reino Unido. Seu longo reinado foi marcado por um forte senso de dever e de comprometimento com a tarefa de manter unidos a Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, além da proximidade entre os países membros da Commonwealth, a comunidade das nações, da qual o ocupante do trono britânico é chefe de Estado.

Desde que assumiu o trono, em Junho de 1953, após a morte de seu pai, George VI,  ela atravessou períodos históricos turbulentos. Ao longo de quase sete décadas, Elizabeth II empossou 15 primeiros-ministros, a mais recente, Liz Truss, há apenas dois dias. Durante todo esse tempo, apesar da perda de influência do império britânico, ela se manteve como uma figura inabalável,  não apenas no país, mas também para os aliados do Reino Unido na Europa e em outros continentes. Há quem atribua sua postura sempre tranquila, nos momentos mais difíceis, à rígida educação que recebeu durante a infância e adolescência, além do contato com a dura realidade, quando se tornou motorista de ambulância, socorrendo feridos, na Segunda Guerra, em Londres.

A coroação, na Abadia de Westminster, em Junho de 1953 (Foto: PA)

A unidade do reino

Apesar do cargo de chefe de Estado e não de governo, ela se deparou com inúmeras situações difíceis ao longo desse tempo. Uma delas foi por ocasião do plebiscito sobre a independência da Escócia, em Setembro de 2014, quando o não prevaleceu.

Naquele momento, muitos eleitores se lembraram do discurso dela perante o Parlamento, em 1977, quando ela se pronunciou firmemente pelo Reino Unido. “Houve inúmeros reis e rainhas da Inglaterra e Escócia, entre meus antecessores e eu posso entender suas aspirações. Mas não posso esquecer de que fui coroada Rainha do Reino Unido, da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte”. E na semana que antecedeu o plebiscito, ela pediu aos eleitores que refletissem muito antes de votar. E, quando o resultado foi divulgado, ela divulgou comunicado manifestando o alívio que sentia pela manutenção da Escócia como parte do Reino Unido.

Mas o período mais crítico do reinado foi sem dúvida durante o conflito na Irlanda do Norte, que se estendeu por três décadas, entre 1968 e 1998. Foi uma luta entre os protestantes, que desejavam manter os laços com o Reino Unido, e os católicos, a favor da independência ou da integração com a República da Irlanda, país de maioria católica. Um acordo assinado em 1998, estabeleceu um sistema de divisão do poder, na Irlanda do Norte, entre católicos e protestantes. Mas, antes do acordo, o confronto deixou milhares de vítimas. Entre elas, um primo de Elizabeth, Lord Mountbatten, morto num atentado à bomba, em Agosto de 1979.

O divórcio do príncipe Charles e a princesa Diana, em 1996, e a morte da princesa, em 1997, foram outros momentos críticos no reinado de Elizabeth II.

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