Equipados com câmeras e sensores, tubarões guiam cientistas até o local, nas Bahamas
Estima-se que a flora marinha recém-mapeada nas Bahamas tenha cerca de 92 mil quilômetros quadrados e provavelmente será um dos maiores depósitos de carbono do mundo. Para chegar lá, os cientistas contaram com a ajuda de tubarões-tigres, que levavam câmeras e sensores eletrônicos instalados na pele. Trata-se do maior ecossistema de flora e ervas marinhas já registrado, de acordo com autores de um artigo publicado na Revista Nature Communications.
Foto: Oliver Shipley / Divulgação
“Se protegidas, essas ervas marinhas podem desempenhar um papel crucial na desaceleração da emergência climática, à medida que o mundo se move para implantar uma gama diversificada de estratégias para capturar carbono da atmosfera”, disse Austin Gallagher, cientista principal da pesquisa e executivo-chefe da organização sem fins lucrativos Beneath the Waves. “Esta descoberta deve nos dar esperança para o futuro de nossos oceanos”.
Ecossistemas marinhos e costeiros, como ervas marinhas, manguezais e pântanos salgados, capturam e armazenam dióxido de carbono da atmosfera, que aquece o planeta, a uma taxa mais rápida do que as florestas do planeta. Os cientistas estimam que as ervas marinhas representam cerca de 17% do carbono total existente em sedimentos marinhos todos os anos. Isso torna a conservação desses habitats uma parte essencial do esforço global para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a fim de diminuir o ritmo do aquecimento global.
Os oceanos do planeta, e principalmente os ecossistemas de ervas marinhas, permanecem mal mapeados em muitas regiões, principalmente devido às dificuldades de medi-los com dispositivos de sensoriamento remoto, como satélites, disseram os autores. Do espaço, as floras marinhas podem ser facilmente confundidas com fitoplâncton, algas ou sedimentos.
A incerteza em torno da área de cobertura total de ervas marinhas no mundo torna muito mais difícil estimar a capacidade do oceano de capturar carbono, disse a revista.
Para conduzir a pesquisa, os autores adotaram uma abordagem inovadora e reuniram cientistas, mergulhadores, conservacionistas, moradores locais, historiadores – e tubarões-tigre, o maior predador marinho encontrado em mares tropicais. Os pesquisadores logo descobriram que os tubarões apresentavam vantagens sobre satélites e humanos.
“Os tubarões-tigre passam cerca de 72% do seu tempo patrulhando os leitos de ervas marinhas, que podem ser observados pelas câmeras de 360 graus que implantamos”, disse Carlos Duarte, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Ciência e Tecnologia King Abdullah, na Arábia Saudita. “Os tubarões-tigre cobrem cerca de 70 km em um dia, podem trabalhar conosco 24 horas por dia, 7 dias por semana – sem nenhuma reclamação registrada – e não são limitados, como os mergulhadores humanos, a profundidades rasas”.
Check our new paper, led by @DrAustinG from @beneaththewaves reporting the characterization of the largest seagrass ecosystem in the Ocean: The Bahamas Bank
Our finding was supported by Tigger Sharks who showed us the seagrass pic.twitter.com/1WD7qZ03F2
— Carlos Duarte (@carlosduartephd) November 1, 2022
Integrating spatial estimates, remote sensing, & ground-truthing with 2,542 diver surveys, with data obtained from tiger sharks, this study characterizes the world’s largest seagrass ecosystem in The Bahamas.@drausting @beneaththewaves @carlosduartephdhttps://t.co/449jyKZ5Zf
— Nature Communications (@NatureComms) November 1, 2022