GUERRA
Papa diz que Vaticano está envolvido em missão secreta de paz na Ucrânia
Papa Francisco no Aeroporto Internacional de Budapeste, Hungria (Foto: Vatican News)

Papa diz que Vaticano está envolvido em missão secreta de paz na Ucrânia

A declaração de Francisco foi feita ao final de uma visita à Hungria; missão de paz inclui ajuda para repatriação de crianças ucranianas

Por: Mario Augusto
Da redação | 1 de maio de 2023 - 09:43
Papa diz que Vaticano está envolvido em missão secreta de paz na Ucrânia
Papa Francisco no Aeroporto Internacional de Budapeste, Hungria (Foto: Vatican News)

O Papa Francisco revelou que uma missão secreta de paz está em curso para acabar com a guerra na Ucrânia. Embora não tenha dado detalhes de como estariam sendo feitas as negociações, o Pontífice declarou que o Vaticano está disposto a ajudar, inclusive com a repatriação de milhares de crianças ucranianas deportadas à força para a Rússia desde o início da guerra.

“Estou disponível para fazer qualquer coisa”, disse Francisco ao final de uma visita oficial à Hungria. “Há uma missão, que não é pública, em andamento; quando for público, falarei sobre isso”, enfatizou o Pontífice.

O Papa Francisco tem demonstrado particular preocupação com as deportações de crianças ucranianas desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022. Francisco disse que o Vaticano já ajudou a mediar algumas trocas de prisioneiros e fará “tudo o que for humanamente possível” para reunir as famílias novamente. “Todos os gestos humanos ajudam. Gestos de crueldade não ajudam”, disse Francisco.

Papa diz que Vaticano está envolvido em missão secreta de paz na Ucrânia

Símbolos da vida. O Papa Francisco recebe pão e sal de crianças na chegada à Hungria. (Foto: Vatican News)

Em março deste ano, o Tribunal Penal Internacional expediu mandados de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, e a Comissária russa para a infância, Maria Lvova-Belova, acusando-os de crimes de guerra por sequestrar milhares de crianças da Ucrânia. A Rússia nega qualquer irregularidade, alegando que as crianças foram transferidas por questões humanitárias.

Pedido formal de ajuda

Na semana passada, o primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, teve uma audiência com o Papa Francisco no Vaticano, na qual pediu que a Igreja Católica ajudasse a negociar a repatriação de milhares de crianças ucranianas levadas após a invasão russa.

“Pedi a Sua Santidade que nos ajudasse a devolver para casa ucranianos, crianças ucranianas detidas, presas e deportadas criminalmente para a Rússia”, afirmou Shmyhal.

Na ocasião, Francisco lembrou que a Santa Sé já facilitou algumas trocas de prisioneiros, trabalhando por meio de embaixadas, e estava aberta ao pedido da Ucrânia para devolver as crianças ucranianas às suas famílias biológicas. “As trocas de prisioneiros correram bem. Eu acho que poderia ir bem também para isso. É importante”, disse o sumo Pontífice sobre as reunificações familiares. “A Santa Sé está disponível para fazê-lo porque é a coisa certa”, acrescentou.

Francisco é o segundo Papa a fazer uma viagem apostólica à Hungria. Antes dele, apenas João Paulo II esteve no país em 1991 e 1996, depois que a Hungria deixou de ser uma nação comunista e passou a ser uma democracia. Membro da União Europeia desde 2004, a Hungria vive em alerta desde o início da guerra, pois o país faz fronteira ao nordeste com a Ucrânia e já recebeu mais de um milhão de ucranianos que pediram refúgio.

Na visita oficial à Hungria, o Papa Francisco manteve encontros oficiais com a presidente Katalin Novák, e com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban. O Papa também se reuniu com o representante da Igreja Ortodoxa Russa na Hungria. e, no domingo, presidiu a celebração eucarística na Praça Kossuth Lajos, com a presença de cinquenta mil pessoas.

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