ECONOMIA

O que está por trás da crise nos bancos dos EUA e Suíça

Bancos norte-americanos recorrem a bilhões de dólares em empréstimos do governo para garantir liquidez

Por: Carlos Taquari
Da redação | 17 de março de 2023 - 15:27

Em apenas uma semana, os bancos norte-americanos solicitaram ao Federal Reserve, o banco central do país, a liberação de empréstimos no valor de US$165 bilhões, para garantir a liquidez no setor, em mais um sinal do estresse no setor financeiro. No crash de 2008, os empréstimos da linha especial do FED para esse tipo de situação somaram US$111 bilhões.

Diante do prolongamento da crise, a questão principal é esta: o que provocou a atual situação de alguns bancos nos Estados Unidos e na Suíça? No caso dos bancos norte-americanos, é preciso voltar ao 2018. Naquele ano, tanto o governo norte-americano como o Congresso cederam às pressões dos bancos regionais, para afrouxar as regras do Acordo de Basileia.

Esse acordo, assinado inicialmente em 1988, passou por várias revisões, ao longo das décadas seguintes, principalmente após a crise de 2008. Basicamente, o acordo estabelece normas de disciplina para os bancos, visando a estabilidade do sistema bancário internacional.

E o que aconteceu, nos EUA, em 2018? Os bancos regionais tiveram permissão para escapar das normas do Acordo, que prevê limites de liquidez. Em outras palavras, começaram a utilizar dinheiro dos clientes, depósitos que podem ser sacados a curto prazo, para emprestar a longo prazo. Com isso, criaram uma instabilidade no sistema, principalmente depois que o FED, o banco central americano, teve que aumentar os juros para conter a inflação. Foi assim que bancos como o Silicon e o Signature abriram um rombo nas próprias contas.

Remédio amargo

No caso do Silicon e do Signature, o remédio aplicado pelo Departamento do Tesouro e pelo FED foi a intervenção direta no controle das duas casas bancárias pelas autoridades monetárias, porque o rombo era muito grande.

No caso do First Republic, o governo norte-americano decidiu aplicar uma dura lição para servir de exemplo para todo o sistema bancário. O Tesouro americano ordenou que os próprios bancos formassem um pool para salvar a instituição. Com isso, 11 bancos se reuniram para depositar US$ 30 bilhões no First Republic e garantir a liquidez desse banco. A conta maior ficou para os gigantes, como JP Morgan, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo, que tiveram que entrar com US$ 5 bilhões cada. O restante ficou para o Morgan Stanley, Goldman Sachs e outros de médio porte. Traduzindo, a decisão do governo norte-americano significa que não foi colocado dinheiro público na operação de salvamento. As demais instituições do setor é que tiveram que se mobilizar para resolver o problema.

 

 

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