INTERNACIONAL

O poder das redes: Google e Twitter escapam de punição na Suprema Corte dos EUA

Juízes relutam em punir as BigTechs por conteúdos publicados pelos usuários

Da redação | 23 de fevereiro de 2023 - 17:49

The Washington Post 

Depois de dois dias de julgamento, os integrantes da Suprema Corte dos Estados Unidos ainda relutam em impor punições contra o Google, Youtube e Twitter por conta de vídeos e mensagens publicados por usuários das redes.

O que está em jogo é até que ponto as redes podem ser responsabilizadas por conteúdos violentos e mensagens de grupos extremistas.

O debate teve como ponto de partida as ações judiciais movidas por parentes de vítimas de ataques terroristas, que acusam as redes de “alimentar a violência”. O primeiro caso analisado foi do Google. A família de uma jovem americana de 23 anos, Nohemi Gonzalez, morta em ataques coordenados pelo Estado Islâmico, em Paris, em 2015, está processando o Youtube – site de vídeos de propriedade do Google – por “incitar atos de violência”, ao divulgar vídeos do ISIS.

Por sua vez, o Twitter está sendo processado pela família de um homem morto num ataque terrorista em 2017, na Turquia, também atribuído ao Estado Islâmico. A acusação argumenta que a rede social deveria suprimir as mensagens postadas pelos integrantes do grupo extremista ou de seus seguidores.

Mas dois juízes da Corte Suprema questionaram essa argumentação. Para o juiz Neil M. Gorsuch, “é muito remota a ligação entre a rede e os responsáveis pelos ataques”.

O juiz Clarence Thomas concordou com Gorsuch: “Se não pudermos estabelecer uma relação direta entre causa e efeito, então, fica entendido que todo ato terrorista praticado por alguém que use essa plataforma será também de responsabilidade do Twitter”.

O advogado do Twitter, Seth Waxman, disse que a empresa remove, regularmente, todo conteúdo identificado como incitação ao terrorismo: “o fato de que entre os milhões de usuários existem seguidores do ISIS não significa que a empresa apoia ou incentiva suas ações extremistas”, acrescentou.

A juíza Elena Kagan discordou do advogado, afirmando que a plataforma acaba permitindo os contatos entre membros do ISIS e que isso, de alguma maneira, facilita os ataques. “Isto significa que é preciso aprimorar a plataforma”, declarou a juíza. Embora tenha contestado a defesa, a juíza entende que não cabe à Suprema Corte estabelecer novas normas para o funcionamento das redes. Esta é uma tarefa para o Congresso, segundo ela.

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