ECONOMIA

Macron lança plano para aumentar idade da aposentadoria

Governo francês quer passar a idade limite de 62 para 64 anos até 2030. Sindicatos prometem resistir  

Da redação | 10 de janeiro de 2023 - 21:55

Bloomberg

O presidente Emmanuel Macron desafiou a oposição dos sindicatos e anunciou um plano para aumentar gradualmente a idade mínima da aposentadoria na França de 62 para 64, até 2030. Embora a mudança deva se estender por vários anos, até o final da década, os sindicatos prometeram resistir com greves e protestos por todo o país.

Convencer os franceses a trabalharem por mais tempo para aumentar as taxas de emprego relativamente baixas entre os idosos e evitar déficits em um sistema financiado por contribuições dos trabalhadores é essencial, disse o governo. Organizações trabalhistas discordam totalmente e falam que esse modelo vai prejudicar os menos qualificados e os aqueles de menor poder aquisitivo, que começaram a trabalhar mais cedo.

Também argumentam que há outras opções para reequilibrar o sistema, incluindo encorajar ou obrigar as empresas francesas a manter os trabalhadores mais velhos ou reduzir os cortes de impostos corporativos, para financiar o sistema previdenciário.

“Estou ciente de que mudar nosso sistema previdenciário levanta dúvidas e temores”, disse a primeira-ministra Elisabeth Borne em entrevista coletiva em Paris. “Hoje apresentamos um plano de equilíbrio para o nosso sistema de aposentadoria, um plano de equidade, um plano que traz progresso social.”

Os sindicatos devem se reunir ainda essa semana para decidir como responder ao anúncio. O governo pretende apresentar uma versão final do projeto de reforma em uma reunião de gabinete no dia 23 de janeiro, antes que o parlamento comece a revisar a legislação a partir de fevereiro. “Nada justifica essa reforma brutal”, declarou Laurent Berger, presidente da confederação sindical CFDT.

A mudança está sendo chamada pelas autoridades francesas de “a mãe de todas as reformas” e deve ser um momento decisivo no segundo mandato de cinco anos de Macron.

Se o líder francês de 45 anos seguir em frente, provavelmente enfrentará o tipo de convulsão paralisante que acompanhou – e às vezes derrotou – as tentativas de seus antecessores de alterar as leis que afetavam o trabalho e a aposentadoria. Se ele recuar, isso prejudicaria seu esforço de uma década para levar a França para uma transformação pró-negócios.

Macron já retirou uma proposta diferente de reforma da Previdência, em 2020, após meses de manifestações e greves. Na época, ele citou a pandemia de Covid como desculpa para fazer isso.

A aposta, em 2023, também ocorre em um momento muito difícil para a economia francesa, que luta contra o aumento dos preços da energia e a inflação recorde que atinge as famílias e empresas.

A reforma é um desafio muito pessoal para Macron, que busca construir seu legado já que não poderá concorrer a um terceiro mandato em 2027 e sempre fez questão de deixar sua marca na economia francesa.

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