INTERNACIONAL
Associated Press

Filha de ditador acumulou fortuna de US$250 milhões

Dinheiro aplicado em imóveis na Suíça, França e Reino Unido tinha origem na corrupção

Por: Carlos Taquari
Da redação | 13 de março de 2023 - 21:55
Associated Press

Ao longo de mais de duas décadas, Gulnara Karimova levou uma vida de princesa no Uzbequistão, país situado numa das regiões mais pobres da antiga União Soviética. O pai de Gulnara, Islam Karimov, governou o país com mão de ferro, durante quase três décadas, entre 1989 e 2016, quando faleceu.

Durante esse período, Gulnara, ou “Googoosha”, como era conhecida nos vídeos que gravava para as redes sociais, dirigia a maior joalheria do país e também serviu como Embaixadora na Espanha. Mas, ao mesmo tempo, ela desenvolvia outras atividades paralelas. Junto com o namorado, Rustam Madumarov, ela controlava uma série de operações financeiras, com dinheiro vindo de corrupção. O grupo, que chegou a amealhar fundos no valor de US$1 bilhão, recebia propinas de boa parte das empresas que fechavam negócios com o governo, então dirigido por Islam Karimov.

Ilustração reproduzindo a imagem de Gulnara Karimova (Freedom for Eurasia)

Só a fortuna de Gulnara, que inclui imóveis adquiridos na Suiça, na Côte D’ Azur, na França, e no Reino Unido, é calculada em cerca de US$250 milhões. Em Londres, ela possuía vários imóveis, incluindo duas residências nos exclusivos bairros de Belgravia e Mayfair, uma delas a poucos quarteirões do Palácio de Buckingham. Também possuía uma casa de campo, em Surrey, mas no Reino Unido, seus bens foram bloqueados pelo Fraud Office, instituição do governo britânico que fiscaliza bens de origem suspeita.

Após a morte do ditador Karimov, Gulnara foi detida e está respondendo a processo movido pela justiça do Uzbequistão, atualmente sob um novo regime. O caso de Gulnara Karimova vem sendo acompanhado pela Freedom for Eurasia, organização com sede em Viena, que luta contra a corrupção e pelo respeito aos direitos humanos nos países da Ásia Central.

Ainda no Reino Unido, as autoridades estão investigando empresas britânicas suspeitas de negociar a venda de imóveis com dinheiro de origem ilegal. Um dos representantes da Freedom For Eurasia, Tom Mayne, que também é pesquisador na Universidade de Oxford, se mostrou surpreso com o volume de dinheiro envolvido nestas transações. “O caso Karimova é um dos maiores exemplos de propinas e corrupção já registrados no mundo”, afirmou Mayne.

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