GUERRA

‘Eu me recuso a obedecer’, diz jornalista russa, após escapar da prisão

Marina Ovsyannikova, ex-editora da TV estatal russa, foi multada e cumpriu prisão domiciliar por pedir no ar o fim da guerra

Da redação | 5 de outubro de 2022 - 14:09
Por Jennifer Hassan e Robyn Dixon
Do Washington Post

Em seus primeiros comentários desde que fugiu da prisão domiciliar preventiva, no início desta semana, a jornalista russa Marina Ovsyannikova disse que se considera “completamente inocente” de ter aberto um cartaz, atrás da apresentadora, pedindo o fim da guerra na Ucránia. E fez um apelo internacional para que o presidente russo, Vladimir Putin, seja retirado do poder, isolado da sociedade e levado a julgamento.

“Como nosso estado se recusa a cumprir suas próprias leis, eu me recuso a cumprir a medida de restrição imposta a mim na forma de prisão domiciliar, e me liberto dela em 30 de setembro de 2022”, postou Ovsyannikova no aplicativo de mensagens Telegram, de local não revelado.

“Respeitáveis ​​funcionários do Serviço Penitenciário Federal, coloquem essa tornozeleira em Putin”, disse ela em um vídeo, referindo-se ao dispositivo de rastreamento eletrônico que foi forçada a usar no tornozelo por autoridades russas. “É ele que deve ser isolado da sociedade, não eu, e ele deve ser julgado pelo genocídio do povo da Ucrânia e pelo fato de destruir a população masculina da Rússia em massa.”
Leia também:
Inteligência artificial pode levar à extinção da humanidade, alertam especialistas
Baleia Beluga suspeita de espionar para a Rússia

Marina Ovsyannikova foi punida com multa e prisão domiciliar por manifestação contra a guerra. (Foto: AP)

Protesto ao vivo na TV

Ovsyannikova, ex-editora da televisão estatal russa Channel 1, ganhou as manchetes internacionais no início da guerra depois de entrar no set do principal programa de notícias do canal segurando um pôster que dizia “pare a guerra”.

Seu protesto foi amplamente saudado como um perigoso ato de resistência à medida que a Rússia se movia para reprimir os críticos e demonstrações públicas de dissidência em meio à invasão da Ucrânia.

Na quarta-feira, Ovsyannikova mais uma vez pediu aos russos que não acreditem nas mentiras do governo, dizendo que ela foi punida simplesmente por dizer a verdade.

Após a invasão da Rússia em fevereiro, o acesso à mídia foi rapidamente bloqueado e Moscou proibiu o que considerou notícias “falsas” de seu ataque à Ucrânia. A repressão da mídia na Rússia forçou muitos jornalistas a fugirem do país.

Multa e prisão domiciliar

A Rússia multou Ovsyannikova duas vezes pelo crime de desacreditar seus militares e em agosto a colocou sob prisão domiciliar de dois meses sob a acusação de espalhar notícias falsas sobre os militares, o que poderia levá-la a uma sentença de até 10 anos.

Ainda não está claro como ela conseguiu escapar da cadeia, junto com sua filha de 11 anos. Ovsyannikova não respondeu às ligações e mensagens de texto do Washington Post nos últimos dias.

O ex-marido de Ovsyannikova informou às autoridades no sábado que ela estava desaparecida, informou a mídia russa. Igor Ovsyannikov disse à rede pró-Kremlin RT que não sabia onde estava sua ex-mulher, mas que sua filha não tinha passaporte.

As declarações de Ovsyannikova ocorreram no momento em que Putin assinou um documento formalizando a anexação de quatro regiões da Ucrânia, uma violação do direito internacional.

Apesar da medida, as tropas ucranianas estão fazendo um “avanço rápido e poderoso” no sul do país e liberando “dezenas de assentamentos” do controle russo, disse o presidente Volodymyr Zelensky.

+ DESTAQUES