Os romances com final feliz crescem nos EUA e também no Brasil, diferentemente de outros gêneros que caíram após reabertura dos mercados
A demanda por livros de romances com grandes histórias de amor está crescendo nos EUA. As vendas de cópias impressas subiram 51%, alcançando um total de 32,3 milhões este ano, até o início de dezembro, de acordo com o NPD Group. O gênero é um alento para uma indústria editorial que deve registrar em 2022 seu primeiro declínio anual em volume de unidades vendidas em pelo menos cinco anos.
A popularidade da categoria aumentou durante a pandemia, à medida que os americanos buscavam alternativas domésticas de entretenimento. A opção foi nitidamente por histórias de bem-estar, tanto em leituras como no streaming da TV. Basta olhar para o sucesso dos filmes românticos e infanto-juvenis de Natal de Hollywood, entre os mais vistos nos últimos finais de ano.
Colleen Hoover, campeã de vendas dos romances com final feliz nos Estados Unidos (Foto: divulgação)
A mídia social ajudou a impulsionar as carreiras de escritores como Colleen Hoover, que teve quatro títulos vendendo mais de 1 milhão de cópias este ano. A indústria também expandiu seu público, investindo em tramas mais contemporâneas de um conjunto cada vez mais diversificado de escritores.
As vendas de livros impressos, que representam mais de 85% do mercado, tiveram um aumento significativo durante o surto de Covid, já que os americanos passaram mais tempo em casa. Mas, da mesma forma como os lenços desinfetantes e os frascos de álcool gel, a indústria editorial entrou em declínio com a reabertura da economia no mundo. No caso dos livros, houve queda de 7% até novembro, em 2022, após ganhos médios de 9% nos últimos dois anos, de acordo com a NPD, que acompanha as vendas nos varejistas.
No sentido inverso, gênero romance de amor continua ganhando força. A categoria, que historicamente representa cerca de 25% do mercado de ficção dos Estados Unidos, tem uma lista de best-sellers dominada por grandes editoras como Simon & Schuster, da Paramount Global, e Pearson’s Penguin Group. Uma grande razão para o sucesso do gênero são as mídias sociais, onde há um volume crescente de comunidades de contas dedicadas a resenhas e tópicos de livros, como “livros que me fizeram chorar”.
No TikTok, o canal #BookTok está se aproximando de 100 bilhões de visualizações. Foi a principal hashtag em 2022 na plataforma de mídia que mais cresce atualmente, no qual o romance teve quatro dos cinco livros com maior engajamento. A Barnes & Noble, a maior rede de livros do país, aderiu à tendência, inclusive usando a hashtag nas vitrines das lojas e incentivando os funcionários a postar suas recomendações.
O livro mais vendido no Brasil este ano, com mais de 1 milhão unidades de (Foto: divulgação)
“A ascensão do TikTok não pode ser negada”, disse Koch, que chamou o boom do romance de “mudança cultural”, ao mesmo tempo em que apontou que o gênero teve grandes sucessos comerciais antes do atual fenômeno, com franquias como Crepúsculo e 50 Tons de Cinza.
Colleen Hoover, que publica por meio da divisão Atria da Simon & Schuster, tem sido uma das maiores beneficiárias da popularidade do conteúdo do livro nas redes sociais. Seu título “It Ends With Us” (“É Assim que Acaba”, no título brasileiro) decolou no TikTok em 2020, quatro anos após ser lançado. O livro passou 79 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times. Sua sequência, “It Starts With Us”, estreou em outubro e vendeu 800.000 cópias em uma semana.
No entanto, qualquer avanço em direção a uma estante de livros mais diversificada não se reflete necessariamente no TikTok, onde a maioria dos livros de destaque foi de autores brancos. Como resultado, a maioria dos compradores que visitam o The Ripped Bodice demandam livros escritos por autores brancos, de acordo com Koch.
“Esperamos que, se conseguirmos colocá-los na porta, possamos apresentar esse novo público leitor a autores além daqueles que estão em alta”, disse Koch.
Se o fizerem, eles têm opções. Koch elogiou “A Lady for a Duke”, de Alexis Hall, que apresenta uma heroína transgênero, como um de seus favoritos deste ano. Jasmine Guillory escreve sobre heroínas negras em romances também com final feliz. Casey McQuiston tece romances LGBTQ. Eles estão longe das noções estereotipadas sobre a tarifa típica do gênero.