INTERNACIONAL

Corte na produção de petróleo pode ser 10% real, 90% ilusório

Dados da OPEP revelam que muitos países não estão cumprindo o acordo para cortar a produção

Por: Lucas Saba
Da redação | 10 de outubro de 2022 - 21:55

Bloomberg

Os países membros da Opep concordaram em cortar sua meta de produção coletiva em 2 milhões de barris por dia a partir de novembro. Mas, embora o grupo seja composto por 23 países, apenas 3 devem aderir integralmente à proposta de corte: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. A maioria dos outros já vinha reduzindo a produção. Calcula-se que a produção real cairá em apenas 10%, o que deve ficar bem longe do que foi anunciado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Quando as novas metas entrarem em vigor em 1º de novembro, apenas oito países serão obrigados a bombear menos petróleo bruto. Além dos três vizinhos árabes do Golfo, pequenas reduções também devem vir do Sudão do Sul, Gabão, Argélia, Iraque e Omã.

Os dados da OPEP mostram o Sudão do Sul como excedente na sua cota desde que o acordo atual entrou em vigor em maio de 2020, revelando assim nunca ter cortado um único barril. Gabão foi na mesma linha, dos 29 meses do acordo apenas um mês teve a produção abaixo do seu limite. Quanto ao Iraque, depois que o acordo de quarta-feira foi finalizado, o ministro do petróleo fez questão de garantir aos compradores que isso não afetaria as exportações iraquianas. Isso mostra a intenção do país de não reduzir sua produção.

produção de petróleo

Produção de petróleo caíra bem menos do que o previsto pela Opep.

Nem todos querem participar

Os cortes necessários à Arábia Saudita e seus vizinhos chegam a 790.000 barris por dia, mas isso poderia ser compensado pelo aumento da produção de outros membros do grupo. Nigéria, Angola e Malásia estão lutando contra a diminuição da capacidade de produção e têm bombeado abaixo de suas metas por muitos meses. A Rússia, também, enfrenta dificuldades. Se a situação dos russos já estava complicada, piorou ainda mais após a invasão da Ucrânia e com as sanções anunciadas pela União Europeia.

As sanções contra as exportações de petróleo bruto russo entram em vigor em 5 de dezembro – um dia após o grupo produtor realizar sua próxima reunião. As restrições visam a maioria dos embarques marítimos para os membros do bloco, que já caíram para cerca de 660.000 barris por dia do total de 1,6 milhão de barris, em janeiro.

A Rússia desviou grande parte do petróleo bruto que era comprado pelos países europeus para a Índia, Turquia e China. Mas as sanções, que tentam limitar os embarques para países não europeus, podem ter um impacto muito maior, na economia russa. A frota de petroleiros da Rússia não é grande o suficiente para mover todo o petróleo que precisaria ser desviado da Europa. Isso poderia forçar cortes de produção. Um limite de preço proposto para o petróleo russo forneceria ao Kremlin uma saída – isentando de sanções essas cargas vendidas a ou abaixo de um preço ainda a ser acordado – mas Moscou parece determinada a não tomá-la. Se o Kremlin decidir parar a produção em vez de aceitar um preço limitado, o corte da OPEP de 2 milhões de barris por dia pode de repente se tornar muito real.

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