COMPORTAMENTO

Americanos doam quase meio trilhão de dólares

Bilionários, fundações e outros abrem os cofres e doações atingem um patamar histórico

Por: Lucas Saba
Da redação | 15 de agosto de 2022 - 22:08

Apesar dos indicadores econômicos ruins em todo o mundo em 2021, a filantropia dos norte-americanos não se abalou. Eles doaram US$ 485 bilhões ou mais de R$ 2,5 trilhões. Isso representa 4% a mais do que foi doado em 2020, ano que já havia batido recorde.

Os dados foram levantados pela Fundação Giving USA, com ajuda da Faculdade de Filantropia da Família Lilly, da Universidade de Indiana. O que chama atenção particularmente é o fato da pandemia ter prejudicado economicamente quase toda a população, mas parece que isso não foi o suficiente para tirar dos americanos o sentimento de solidariedade com o próximo.

Cultura da Filantropia

Para o diretor da Escola de Filantropia da Universidade de Indiana, Amir Pasic, o senso americano de coletividade não se abalou nem mesmo com crise econômica.

“Há uma abordagem cultural diferente para a filantropia nos EUA, que perdura por séculos. Temos um sistema tributário que a suporta; instituições públicas que a celebram; e organizações educacionais, sociais e culturais que precisam dela para prosperar. É parte de nossa compreensão expandida do que significa ser americano” afirma Pasic.

Algumas instituições filantrópicas intensificaram o trabalho durante o biênio 20/21. Como foi o caso do Exército da Salvação, que passou a fornecer 300 milhões de refeições mensais, isso é o triplo, comparado a anos anteriores. A organização também teve um aumento de caixa, em virtude das doações recordes do último ano.

recorde de doações em 2021

Doações em 2021 bateram o recorde histórico nos Estados Unidos. Foto: Pexels.

Ranking de doações

A principal fonte de doações são as individuais, principalmente por parte de bilionários como Bill e Melinda Gates, Warren Buffet, Mackenzie Scott (ex-mulher de Jeff Bezos, fundador da Amazon) e outros. O total dessa fonte chega a US$326.87 bilhões. Em segundo, estão os valores doados por fundações – em geral criadas por empresas, herdeiros e grandes proprietários, que somam US$90,88 bilhões. Seguem-se as doações deixadas por heranças, com US$46 bilhões; e empresas, com US$21 bilhões.

Não menos importante, tem um modelo de doação que não entra neste ranking, porém é tão significativo como todos os anteriores. São as doações espontâneas feitas através de anônimos, seja um prato de comida para um morador de rua ou até mesmo um cobertor para dias mais frios.

Como lembra Amir Pasic, o hábito dos americanos de se unirem para resolver problemas por meio de grupos ou instituições de caridade, foi notado já, em 1835, pelo escritor francês Alexis Tocqueville, em seu clássico “A Democracia na América”.

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