Problema respiratório afeta 20% das pessoas; pesquisa na Espanha indicou grande influência da alimentação no controle do distúrbio
Todas as noites, milhões de pessoas não dormem direito por causa da apneia obstrutiva da respiração durante o sono, um distúrbio crônico que causa interrupções periódicas na respiração noturna. Mas um crescente corpo de pesquisa sugere que melhorar seus hábitos alimentares cortando alimentos ultraprocessados, diminuindo o consumo de álcool à noite e aumentando as atividades físicas diárias pode reduzir os sintomas e, potencialmente, até mesmo eliminá-los.
As descobertas são importantes, porque a apneia do sono é uma das causas mais comuns de sono ruim, afetando cerca de 1 em cada 5 pessoas em todo o mundo.
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A obesidade é um fator de risco especialmente forte, porque o excesso de tecido na boca e na garganta pode bloquear as vias aéreas durante o período do sono.
Algumas pessoas que sofrem com a apneia do sono usam aparelhos para poderem dormir sem perder a respiração (Foto: Freepik)
Em um estudo recente publicado na revista médica Jama Network Open, pesquisadores na Espanha recrutaram 89 homens com sobrepeso e obesos que sofriam de apneia do sono moderada a grave e os dividiram em dois grupos.
Depois de apenas oito semanas, os participantes que adotaram hábitos mais saudáveis tiveram uma redução de 51% no número de episódios de apneia durante cada hora de sono noturno.
Cerca de 15% alcançaram a remissão completa do distúrbio e 45% não precisaram mais de suas máquinas CPAP, usadas para ajudar na respiração noturna.
“Os resultados foram muito melhores do que esperávamos”, disse Almudena Carneiro-Barrera, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade Loyola Andaluzia, na Espanha.
Em média, o grupo de hábitos saudáveis perdeu cerca de 7% do peso corporal. Aos seis meses, eles haviam mantido a perda de peso e o número de participantes cuja apneia do sono entrou em remissão dobrou.
Cerca de 62% deles não precisavam mais de suas máquinas CPAP. Eles também tiveram reduções significativas na pressão sanguínea, o que, segundo os pesquisadores, reduziu o risco de morrer de derrame ou doença cardíaca em mais de 30%.
Em comparação, o grupo de controle perdeu em média menos de meio quilo de peso corporal e teve pouca ou nenhuma melhora na gravidade da apneia do sono. O exercício regular é eficiente para amenizar o incômodo porque evita que o líquido se acumule no pescoço, bloqueando as vias aéreas à noite.