CIÊNCIA

Fibra descoberta em Harvard protege alimentos

Embalagem biodegradável e antimicrobiana foi criada com base em curativos para pele humana

Por: Daiana Rodrigues Pereira
Da redação | 29 de agosto de 2022 - 21:56

A partir de conhecimentos desenvolvidos pela Medicina em campos de batalha, pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, criaram um tipo de embalagem que prolonga a vida dos alimentos. Trata-se de uma fibra que impede a multiplicação de fungos e bactérias.

O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores das escolas de Saúde Pública e de Engenharia Aplicada da Universidade de Harvard. A ideia surgiu com base no sistema usado para criar curativos de emergência em palcos de guerra.

“Como se viu, curativos para feridas têm o mesmo propósito, de certa forma, que embalagens de alimentos – sustentar tecidos, protegê-los contra bactérias e fungos e controlar a umidade”, explica um dos autores do estudo, o bioengeheiro Huibin Chang.

A partir da macromolécula chamada “Pullulan” cria-se a fibra que irá embrulhar o alimento. Mas, a criação é feita de uma forma curiosa: como uma máquina semelhante à que produz algodão doce. À medida que a solução sai do reservatório, o solvente evapora e as macromoléculas, chamadas de polímeros, vão se solidificando e criando uma película fina em torno do alimento. Veja no vídeo abaixo:

Resultados experimentais

Foi feita uma experiência em que abacates ficaram sete dias em uma bancada do laboratório. Depois desse tempo, 90% dos desembrulhados haviam apodrecido. Já os que usavam a embalagem, esse número caiu para 50%, o que demonstrou a capacidade do produto biodegradável em aumentar o tempo útil da fruta.

A respeito das bactérias e fungos, em comparação com uma embalagem normal de papel alumínio, esta de fibras Pullulan teve uma redução substancial de contaminação, segundo os pesquisadores.

Fibra descoberta em Harvard

Abacates em diferentes estágios de amadurecimento embalados com a fibra Pullulan. (Foto: Grupo de Biofísica de Doenças/Harvard SEAS)

Além dos problemas citados anteriormente, ainda há a preocupação com o desperdício de alimentos no mundo. Só nos Estados Unidos, calcula-se que mais de 30% da produção agrícola vai parar no lixo, por conta de problemas de conservação. Essa percentagem é semelhante na maioria dos países. Com a nova embalagem será possível evitar que frutas e legumes estraguem tão rapidamente e acabem no lixo. A pesquisa foi publicada na revista de pesquisas científicas Nature Food.

De acordo com o Índice de Desperdício de Alimentos 2021 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, cerca de 931 milhões de toneladas de alimentos acabam no lixo todos os anos. Mais da metade desse total são resíduos domésticos. Em uma base per capita, a média do desperdício das famílias globais é de 74kg ao ano.

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